O que é a curva do esquecimento?

A curva do esquecimento é o desenho de como a memória do que a gente estudou cai com o tempo: rápido logo depois do estudo, mais devagar depois. Quem descreveu essa curva foi o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus, testando a própria memória. Depois, pesquisadores da Universidade de Amsterdã refizeram o experimento e acharam o mesmo formato.

E cada vez que a gente volta no conteúdo, a queda seguinte fica mais lenta. É essa parte que interessa para quem quer Medicina, porque não existe aprovação sem revisão.

Se você estuda bastante e, semanas depois, parece que pouca coisa ficou, isso não é sinal de que você estudou à toa. É sinal de que faltou voltar.

Só que essa curva virou calendário de revisão pronto em muita escola, e tem muitos cursinhos, muita gente no Instagram que fala isso. Eu não uso a curva assim. Comigo, a revisão a gente vai colocando ali de uma forma constante e sem ser aquela revisão engessada. Aqui você vê de onde a curva veio e o que ela explica de verdade:

Se você chegou aqui atrás do como revisar, com intervalos e rotina, isso está na minha página de revisão espaçada.

O que Ebbinghaus testou em si mesmo?

Hermann Ebbinghaus usou a própria memória como laboratório.

O experimento tinha três peças:

  1. Quem
    só ele, sem outros participantes.
  2. O quê
    Ebbinghaus decorava listas de sílabas sem sentido, combinações de letras que não formam palavra nenhuma.
  3. Como mediu
    o tempo que Ebbinghaus levava para decorar a mesma lista de novo. Esse jeito de medir se chama método da economia: se reaprender custava menos tempo do que aprender da primeira vez, uma parte da memória ainda estava lá.

Ele repetiu essa medida depois de intervalos diferentes e, com isso, desenhou a curva.

Por que sílabas sem sentido? Para tirar da jogada o que ajuda a lembrar: o significado do material e o que a pessoa já sabe sobre o assunto. Sem isso, sobra a memória crua.

Guarda esse detalhe, porque ele vai fazer diferença lá na frente.

O experimento mediu a memória do próprio Ebbinghaus decorando material sem significado nenhum. E a matéria do ENEM é o oposto disso.

Como é a curva com e sem revisão?

A curva do esquecimento cai forte logo depois do estudo e depois vai ficando mais plana. A maior parte da perda acontece cedo, e o que sobra se perde mais devagar.

Quando entra uma revisão, a memória volta para perto do topo. E a queda seguinte é mais lenta do que a primeira. A cada nova revisão, a queda fica mais suave.

Dá para visualizar as duas linhas assim:

Sem revisão

a linha cai forte no começo e se achata lá embaixo.

Com revisões

a linha vira uma serra. Sobe a cada volta no conteúdo, e cada queda é mais lenta que a anterior, então a serra vai ficando cada vez mais alta.

É por isso que a revisão espaçada funciona: é ela que faz a gente sair daquele ciclo da escola que estuda, vai bem na prova e esquece depois. De quanto em quanto tempo voltar no conteúdo está na página de revisão espaçada.

A curva foi confirmada depois de Ebbinghaus?

Sim, o formato da curva foi confirmado.

Pesquisadores da Universidade de Amsterdã, Jaap Murre e Joeri Dros, refizeram o experimento de Ebbinghaus com o mesmo tipo de material e encontraram o mesmo desenho: queda forte no começo e mais lenta depois.

O que não se confirma é a porcentagem redonda que roda nas redes como se fosse lei para qualquer coisa que você estuda.

O tamanho da queda depende do material, de quem estuda e de como estuda. Uma lista de sílabas sem sentido some muito mais rápido do que um conteúdo que você entendeu e já praticou em questão.

Por isso eu não coloco número de esquecimento nenhum nesta página. Então, vamos ver o que tem validação.

O que a pesquisa confirma:
  • o formato da curva: queda forte no começo, mais lenta depois;
  • que o que não é revisado se perde.
O que ela não diz:
  • uma porcentagem que valha para qualquer matéria;
  • um calendário de revisão pronto para o ENEM.
Viu uma porcentagem assustadora que não diz de qual pesquisa saiu nem com que material foi medida? Desconfia. A curva existe. O número mágico, não.

O que deixa a curva mais inclinada?

A curva não tem a mesma inclinação para tudo. O que mais muda a velocidade do esquecimento é o jeito de estudar.

Com o mesmo tempo de estudo, quem só relê, resume ou faz mapa mental guarda menos do que quem resolve questões e corrige os próprios erros. A pesquisa que mostra isso eu conto na página de cronograma de estudos.

E não vale só para o capítulo que você acabou de ver. Resolver questões de temas que você não acabou de estudar e usar flashcards, que são formas mais ativas de estudar, deixa a curva mais plana.

Vídeo: cronograma de estudos para Medicina em 5 passos

Vídeo: cronograma de estudos para Medicina em 5 passos

Fora a forma de estudar, pesam a atenção na hora da aula e o sono.

Se você percebe que sempre esquece a aula de um mesmo horário, tem alguma coisa errada, e dá para dar nome a ela: o primeiro horário eu tô sempre me esquecendo. Então eu preciso ter um jeito de prestar atenção melhor no primeiro horário ou eu vou melhorar minha anotação ou vou melhorar meu sono. É dormindo que o cérebro consolida o que viu.

FatorDeixa a curva mais inclinada quando…Deixa a curva mais plana quando…
Forma de estudarvocê só relê, resume ou faz mapa mental olhando o materialvocê resolve questões, inclusive de temas que não acabou de ver, e corrige os próprios erros
Atenção na aulaa aula passa sem você prestar atenção nem anotarvocê presta atenção e melhora a anotação da aula que mais esquece
Sonoas noites de sono são curtas ou ruinso sono está em dia e o cérebro tem tempo de consolidar o que viu

E tem coisa que a pesquisa de memória descreve há tempo: material com significado se perde mais devagar do que material solto, o que se liga a algo que você já sabe fica mais firme, e o que mexe com a emoção tende a ser lembrado melhor.

Esquecer significa que minha memória é ruim?

Não, e esquecer não diz nada de ruim sobre a sua cabeça. Os mecanismos são os mesmos, é que está estudando errado.

A curva do esquecimento vale para todo cérebro. A memória de quem passou em Medicina cai do mesmo jeito que a sua. O que muda é o que a pessoa faz depois da aula.

A pessoa fica estudando passivamente, com aulas, resumos e questões do capítulo que acabou de ver. Acerta as questões porque a aula ainda está fresca, e fica com a sensação de que sabe. Aí aumenta os resultados nas questões de capítulo, mas nos simulados continua com a mesma nota, porque até o simulado a curva já caiu.

Quem volta no conteúdo buscando a resposta de cabeça segura mais.

Então, se você estuda o ano inteiro e chega na reta final sentindo que perdeu o começo, o problema provavelmente não é a sua cabeça. Quase sempre, o que ficou de fora do ano foi a revisão.

O diagnóstico completo do estudo passivo está na minha página sobre como estudar melhor.

Leia tambémComo estudar melhor

A curva vale para o conteúdo do ENEM?

A curva vale como explicação de por que a gente esquece, mas não como calendário pronto para a matéria do ENEM.

Ebbinghaus mediu a própria memória, decorando listas e reaprendendo cada uma depois de um tempo. Isso não faz sentido para o contexto Enem de que a cada dia você tem mais matérias.

A prova de Medicina cobra conteúdo com significado, que aparece em questão. E a matéria não para de crescer: toda semana entra tema novo, e o tema antigo continua valendo na prova.

AspectoO que Ebbinghaus mediuO que o ENEM cobra
Materiallistas de sílabas sem sentido, para decorarconteúdo com significado, cobrado em questão
Quemsó o próprio Hermann Ebbinghausvocê, com a sua base: o tema que você domina e o tema em que você erra
O que se revisaa mesma lista, reaprendida depois de um intervalomatéria que cresce o ano inteiro, com o tema antigo ainda valendo
Vídeo: como memorizar os estudos com estudo ativo

Vídeo: como memorizar os estudos com estudo ativo

Só que muita escola e muito cursinho repassa a curva como regra de revisão. E para o adolescente, se o cursinho falou, se o professor falou, parece que é lei. Mas o calendário fixo, aquilo não funciona se você já colocou em prática, você sabe disso.

Aí a pessoa tenta revisar tudo com a mesma régua, a pilha de revisões cresce a cada dia e a frustração vem junto. Imagina: eu estudei hoje genética e elétrica. Um tema eu entendi super bem, o outro não. Um eu acertei todas as questões, o outro eu errei tudo. Eu tenho que revisar com a mesma frequência só porque eu estudei hoje? Não faz sentido, ok?

A curva mostra que é preciso voltar. Quanto e quando voltar depende de onde você erra: o tema em que você mais erra é o que volta mais vezes.

Por que o intervalo fixo não fecha na rotina real eu explico na página de revisão para o ENEM.

Como achatar a curva no seu estudo?

A curva achata quando você volta no conteúdo com intervalos que vão crescendo e, a cada volta, tenta lembrar antes de olhar.

Terminou a aula, fecha o material e tenta dizer o que ficou. Buscar a resposta de cabeça assim é o que a pesquisa chama de recuperação ativa, o recall. E com as anotações abertas não vale: aí você só reconhece o que está lendo. O efeito teste mostra que se testar fixa mais do que reler.

Na prática, a gente faz isso de três jeitos:

  • questões de temas que você não acabou de estudar;
  • flashcards;
  • correção ativa dos erros, e não só ler a resolução comentada.

Cada uma dessas coisas tem página própria aqui no site:

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Dúvidas sobre a curva do esquecimento

Quem criou a curva do esquecimento?

Foi o psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus.

Ele fez o experimento com ele mesmo: decorava listas de sílabas sem sentido e media quanto tempo levava para decorar a mesma lista de novo. Repetindo essa medida depois de intervalos diferentes, ele desenhou a curva.

Bem depois, a Universidade de Amsterdã refez o experimento e encontrou o mesmo formato. Então a curva existe, sim.

É verdade que a gente esquece quase tudo que estudou em um dia?

A queda é forte logo depois do estudo, isso a pesquisa confirma. Mas o tamanho da queda depende do material e de como você estudou.

A porcentagem redonda que circula nas redes quase nunca diz de qual pesquisa saiu nem com que material foi medida. E ela não vale como regra para a matéria que você entendeu e praticou em questão.

Por isso eu não te passo número nenhum aqui. O que segura a matéria é voltar no conteúdo.

A curva do esquecimento é igual para todo mundo?

O formato é o mesmo para todo cérebro: queda rápida no começo e mais lenta depois. A inclinação é que muda.

Ela muda com:

  • o jeito de estudar;
  • a atenção;
  • o sono;
  • o significado do material;
  • o que você já sabe sobre o assunto.

Por isso duas pessoas que estudaram a mesma matéria pelo mesmo tempo podem lembrar coisas bem diferentes semanas depois. E o jeito de estudar é a parte que depende de você.

Dá para estudar sem esquecer nada?

Não, e nem precisa. Esquecer faz parte de como a memória funciona: o cérebro deixa ir o que não volta a ser usado.

O objetivo é deixar a curva mais plana para o que a prova cobra, voltando no conteúdo e tentando lembrar antes de olhar a resposta. Cada volta assim deixa a queda seguinte mais lenta, e é isso que segura a matéria até o dia da prova.

Qual a diferença entre curva do esquecimento e revisão espaçada?

A curva do esquecimento é o fenômeno: o jeito como a memória cai com o tempo. A revisão espaçada é a resposta a ele: voltar no conteúdo em intervalos que vão crescendo para a queda ficar cada vez mais lenta.

Uma explica por que a gente esquece; a outra é o que você faz com isso. O passo a passo está na minha página sobre revisão espaçada.

Sobre mim, a Sassá

Sou a Sabrina Oliveira, a Sassá, educadora especialista em aprendizagem e neurociência da aprovação e criadora da VemMED.

Eu ensino como estudar, e não o conteúdo de Física, Química ou Biologia. O meu trabalho é mostrar como o cérebro fixa e recupera informação e transformar isso em rotina, revisão e estratégia de prova para quem quer Medicina pública pelo ENEM e pelo SISU.

A minha régua é estudar certo, não estudar muito.

É por isso que eu explico a curva do esquecimento com cuidado. Ela é ciência de verdade, e justamente por isso não merece virar número de rede social nem calendário engessado.

Se você quer saber mais sobre mim e sobre a VemMED, a minha página está aqui.