Por que eu me saboto nos estudos?

Você se sabota nos estudos porque o seu cérebro foge do que parece difícil. Não é porque você é preguiçosa ou preguiçoso.

A cena é conhecida. Você senta para estudar Física e, quando vê, está arrumando a mesa. Ou refazendo o resumo de Biologia que já sabe. Ou adiando o simulado de novo.

Muita gente quer mudar, mas pouca gente de fato muda, pouca gente de fato faz alguma coisa diferente, você já deve ter visto isso, né? Chega janeiro com aquele "esse ano vai ser tudo diferente", e o ano vai passando, vai passando, vai passando e a pessoa continua mais ou menos do mesmo jeito.

Só que isso tem explicação. E tem saída.

Olha só o caminho que a gente vai fazer:

  1. o que acontece no seu cérebro quando você trava.
  2. os sinais e as desculpas que mostram que você está se sabotando.
  3. o que fazer nos primeiros minutos do travamento e o PPD, a ferramenta que eu uso com os meus alunos para quebrar o ciclo.
  4. como voltar depois de dias parada ou parado.

No fim, eu te ajudo a separar autossabotagem de cansaço e dos sinais que pedem ajuda profissional. Bora?

O que é autossabotagem nos estudos?

Autossabotagem nos estudos é o padrão de adiar ou evitar justamente as tarefas que mais pesam na sua aprovação, e de criar justificativas para isso.

Na maioria das vezes, ela aparece como procrastinação. Só que tem outro jeito: trocar a lista de questões difícil por uma tarefa fácil também é autossabotagem.

E sabe qual é a principal coisa que impede a pessoa de avançar? Impede a pessoa de sair do padrão dela, de fazer realmente algo que ela quer diferente? As desculpas que a pessoa fala pra ela mesmo todos os dias.

Eu vejo isso o tempo todo. A pessoa fala assim, ah, eu não fiz isso porque... E ela tem um tanto de desculpa pra ela continuar do mesmo jeito.

Isso não é defeito de caráter, tá? É um padrão. E padrão a gente consegue enxergar e mudar.

Se o seu caso é adiar tudo, e não só a matéria difícil, eu explico a procrastinação em geral em procrastinação nos estudos.

Autossabotagem é preguiça ou é o cérebro?

Autossabotagem não é preguiça. É o seu cérebro tentando economizar energia e fugir do desconforto.

Por quê? Porque a principal função do nosso cérebro é economizar energia, e nem é pensar. Economizar energia para que a gente possa sobreviver e sempre que a gente evita uma mudança a gente está economizando energia, se mantendo numa zona mais segura.

Mudar de padrão gasta energia. Então o cérebro prefere o que já conhece, mesmo quando isso te deixa no mesmo lugar.

E tem mais: tomar decisão gasta muita energia do cérebro, e sobra pouca para fazer a tarefa em si.

Geralmente a gente procrastina quando a gente tem tanta coisa pra fazer mas não sabe qual o próximo passo. E também quando tem um medo lá dentro do fracasso.

Nos vestibulandos, eu vejo muito estes gatilhos:

Perdido, sem próximo passo
você não sabe por onde começar.
Coisa demais
a lista não acaba, que é a vida de quem presta vestibular.
Sensação de incapacidade
você se sente incapaz, ou estuda e não vê resultado.
Pouca energia
você está desanimada ou desanimado e sem força.
Então, em vez de perguntar "por que eu sou assim?", pergunte: "o que está deixando essa tarefa pesada demais para o meu cérebro agora?".

Quais sinais mostram que você se sabota?

Você está se sabotando quando passa horas estudando e, no fim do dia, a tarefa que mais importava continua sem fazer.

O sinal mais traiçoeiro é a falsa produtividade: parece estudo, mas é fuga.

Olha se você se reconhece em algum destes sinais:

Esse último é cruel com a pessoa que se dedica: ela fez muita coisa e gastou energia, mas ainda saiu frustrada. E isso é uma das coisas que vai fazer o cérebro procrastinar depois.

Se você se reconheceu em vários desses pontos, calma. Enxergar o padrão já é o primeiro passo.

O próximo passo são as suas desculpas.

Quais desculpas você conta para si mesmo?

As desculpas que eu mais escuto são estas:

  • eu moro longe;
  • eu estou cansada ou cansado;
  • eu não gosto de Matemática;
  • essa aula me dá preguiça;
  • eu não sei por onde começar.

Pega um papel e anota as suas.

Então eu te garanto, as suas desculpas estão te impedindo de alcançar o resultado que você quer. As histórias que você conta para você mesmo estão te deixando no mesmo lugar.

Então faz assim:

1. Anotar. Durante uma semana, toda vez que você fugir de uma tarefa, anote a matéria ou a tarefa, a desculpa que apareceu e o que você fez no lugar.

2. Encontrar o padrão. No fim da semana, olhe a lista. Quase sempre a resistência se repete na mesma matéria ou no mesmo tipo de tarefa.

3. Decidir. Identifique suas desculpas, anote essas desculpas e decida o que você quer fazer com elas.

E cada desculpa pede uma coisa diferente:

Desculpa que apareceuO que essa desculpa pede
Estou cansada ou cansadoEnergia: dormir bem e comer bem
Não sei por onde começarUm caminho: a tarefa já definida, com o próximo passo claro
Não gosto dessa matéria, não vejo sentidoEstudo ativo em que você veja que está avançando

E tem uma pergunta que eu gosto muito: como que seria meu dia a dia se eu não tivesse as desculpas?

Se eu não tivesse a desculpa de por que eu não estudo o quanto que eu gostaria, por que eu não presto atenção na aula quanto eu gostaria, por que eu não cumpro meus planejamentos? Responde essa com calma.

O que fazer quando você trava?

Na hora em que você trava, não decida nada. Faça a menor ação possível da tarefa que já estava definida.

Por isso eu separo o momento de decidir do momento de fazer. Eu mostro como montar isso no planner de estudos.

Então, na hora do travamento, faz isto:

  1. Abra o material.
    Pegue o que já estava separado na mesa, sem procurar nada.
  2. Faça a primeira ação mínima.
    Uma ação tão pequena que não dá para negociar: ler o enunciado da primeira questão ou copiar o título do capítulo.
  3. Deixe o celular longe.
    Faça isso antes de começar, e não depois.
  4. Anote a desculpa.
    Se você travar de novo, volte para a sua lista de desculpas e anote qual apareceu.
Decisão na véspera, execução agora.

Quem trava o começo é a decisão, e não a tarefa. Se você já decidiu na véspera, o seu cérebro só precisa executar.

Se o seu problema maior é o celular e as distrações, eu tenho um passo a passo inteiro em falta de foco nos estudos.

Como o PPD quebra o ciclo?

O PPD quebra o ciclo porque tira a decisão do seu dia. Você decide tudo na noite anterior e, no dia seguinte, só executa.

PPD é o que eu chamo de planejamento e preparação detalhada. E ele é muito diferente de uma simples lista de tarefas.

O PPD tem três critérios:

1. Feito na noite anterior.
Enquanto você dorme, o cérebro se prepara para executar aquelas tarefas no dia seguinte. E a decisão já fica separada da execução.
2. Específico.
Um PPD não pode ter, por exemplo, estudar física. Tarefa genérica é aquela que te faz estudar o dia inteiro e terminar com a sensação de que ainda falta muita coisa.
3. Com o material pronto.
Você prepara o que precisa: o livro já na mesa, o simulado já impresso.

Olha a diferença:

Estudar Física

  • Ler o capítulo de Cinemática
  • Fazer as questões do fim do capítulo
  • Fazer as questões do meu aplicativo
  • Fazer o PPD de amanhã

Repara no último item: o PPD sempre termina com fazer o próximo PPD.

E presta atenção nisto: o grande objetivo do PPD não é a gente cumprir todo o PPD, por incrível que pareça. O grande objetivo do PPD é a gente ser mais produtivo com o PPD do que sem o PPD.

Imprevisto faz parte da vida, e a nossa vida não tem compromisso nenhum com o meu PPD, com o seu PPD. Então, em vez de ficar pensando meu Deus, eu não consegui cumprir o meu PPD inteiro, pensa assim: eu cumpri mais do que eu teria feito sem o meu PPD? Fiz o que era mais importante? Se sim, o PPD funcionou.

Como enxergar o progresso e usar o erro?

Para enxergar o progresso, marque cada item do PPD quando terminar. Ou separe um papelzinho para cada tarefa cumprida, e use para cada semana uma cor de post-it. Para usar o erro, transforme cada questão errada do simulado numa tarefa do próximo PPD.

Como neurocientista, eu sei bem que muitas vezes a gente precisa de pequenas vitórias para nos ajudar a continuar. Principalmente naquela fase em que você faz muita coisa e parece que a lista só aumenta. E quanto mais concreta a vitória, melhor.

Por isso no PPD é tudo detalhadinho porque se eu fiz metade, eu sei que eu fiz metade. Em vez daquela sensação de que só falta muita coisa, dá aquela sensação de que as coisas estão andando.

E quanto mais as coisas estão andando, menos a gente procrastina.

Com o simulado é igual. A nota não é sentença, é informação. Então faz assim:

  1. Corrija o simulado.
  2. Anote cada erro no seu caderno de erros.
  3. Transforme cada erro numa tarefa específica do próximo PPD.

Quando você enxerga o que já fez, fica mais fácil encarar o que falta.

Como voltar depois de dias sem estudar?

Para voltar depois de dias sem estudar, não recomece do zero. Ajuste o cronograma que você já tinha e retome pela próxima tarefa possível.

Eu recebo muito esta pergunta: Tô atrasada no extensivo, esqueço tudo e começo do zero no intensivo?

Olha, quem atrasa no extensivo atrasa no intensivo. Trocar de plano não resolve. Porque o problema tá nos nossos padrões, e não no plano.

Não troque de plano: ajuste o plano.

Para retomar, faz assim:

1
PPD só para amanhã.
Monte um PPD com poucas tarefas específicas. Não tente recuperar tudo num dia.
2
Atrasado aos poucos.
Escolha o que fica para depois. O conteúdo atrasado entra aos poucos nas próximas semanas, e não num mutirão.
3
Olhe a causa.
O atraso costuma vir de um cronograma que tenta ver tudo de tudo, da falta de direção, quando a pessoa tem tanta coisa para fazer que ela não sabe por onde começar, ou da insegurança de estudar e não ver avanço. A resposta é trabalhar esses três pontos, um cronograma individualizado, conseguir ter direção dos estudos e um estudo ativo em que você veja eficiência.

"Ah, mas eu já perdi muito tempo." Eu sei. Só que você vai perder mais tempo ainda se tentar recuperar tudo num dia só.

Se você quer rever a rotina inteira, eu mostro como montar em rotina de estudos. E, se o que aparece agora é vontade de largar tudo, eu falo disso em vontade de desistir.

E se esse já é o seu segundo ou terceiro ano?

Se você está no segundo ou terceiro ano tentando medicina, trocar de cursinho não quebra a autossabotagem. O que quebra é a constância.

A pessoa fala que ela quer estudar, que esse ano de cursinho vai ser diferente. E aí o ano anda e o padrão volta igual. Eu vejo isso muito, muito, muito.

Não adianta ter o melhor cursinho, os melhores professores e os melhores materiais se a pessoa não consegue ser constante, se ela passa uma semana estudando muito e uma semana estudando muito pouco.

Quem já tentou costuma ter mais medo do simulado. Cada nota parece dizer que mais um ano vai se perder. Só que é o simulado que mais te mostra o que mudou.

Neste ano, mude o padrão, e não o lugar. Na prática, isso quer dizer:

  • PPD toda noite;
  • progresso à vista;
  • erro virando tarefa.

Se você se compara o tempo todo com quem já passou, eu falo disso em síndrome do impostor.

Quando é mais que autossabotagem?

Nem todo travamento é autossabotagem. Às vezes é cansaço, às vezes é falta de método e às vezes é um sinal para buscar um psicólogo ou um médico.

Separe assim:

Cansaço real
cuide do corpo
Quando você está muito desanimada e com pouca energia, a gente precisa cuidar disso primeiro: ter energia, comer bem, dormir bem.
Falta de método
PPD
Se o que falta é saber por onde começar, ter um caminho, o PPD ajuda.
Sinais que aparecem também fora dos estudos e não passam com o tempo
psicólogo ou médico
Nesse caso, procure ajuda profissional.
Esta página não substitui a avaliação de um psicólogo ou de um médico. Eu sou educadora e não faço diagnóstico.

Se você é da família, dá para ajudar sem pressionar:

  • pergunte como você pode ajudar;
  • ajude a proteger o sono e a rotina;
  • evite comparar com outros estudantes.

Se a ansiedade aparece nos dias de prova, eu falo disso em ansiedade na prova. E da ansiedade do ano de vestibular em ansiedade no vestibular.

Onde a VemMED entra nessa virada?

Se você quer fazer essa virada com acompanhamento, foi para isso que eu criei o VemMED 5.0.

O VemMED 5.0 é o meu curso online. Nele você tem:

  • 9 módulos;
  • aulas ao vivo comigo;
  • comunidade de alunos;
  • mentorias para montar o cronograma;
  • plantão de dúvidas com monitores;
  • preparo emocional.

A gente não ensina o conteúdo de Física ou Biologia. A gente ensina como estudar.

O acesso à plataforma é de cerca de 1 ano. E você tem garantia incondicional de 7 dias.

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Ainda não quer um curso? Tudo bem. Comece pelo PPD de hoje à noite. E, quando chegar a hora de revisar, o Plano de Revisão de 40 Dias é gratuito.

Se quiser continuar lendo:

Bora com tudo, estou na torcida pela sua aprovação.

Perguntas frequentes sobre autossabotagem nos estudos

Autossabotagem nos estudos é preguiça?

Não. Autossabotagem nos estudos é o seu cérebro economizando energia e fugindo do desconforto da tarefa difícil.

Muita gente acha que procrastinação é preguiça, e não é. A gente costuma travar quando está:

  • perdida, sem saber por onde começar;
  • com coisa demais para fazer;
  • se sentindo incapaz;
  • com pouca energia.

Por isso a saída é método, e não bronca: saber o próximo passo, deixar a tarefa específica e cuidar do sono e da comida.

Como saber se eu estou me autossabotando?

Olhe para o fim do seu dia. Se você passou horas organizando o caderno, revendo aula ou fazendo resumo e a tarefa que mais importava continua sem fazer, é sinal de autossabotagem.

Outros sinais:

  • terminar o dia com a sensação de que ainda falta muita coisa, mesmo tendo estudado;
  • fugir do simulado por medo da nota.

Marque os sinais da lista desta página e veja quais se repetem na sua semana.

O que fazer quando eu travo na hora de estudar?

Não decida nada na hora. Abra o material que já estava separado e faça a menor ação possível da tarefa que você definiu na véspera, como ler o enunciado da primeira questão.

Tomar decisão gasta muita energia do cérebro, e a gente acaba sem energia para executar. Por isso eu separo o momento da decisão, na noite anterior, do momento da execução, no dia.

E se eu não conseguir cumprir o PPD inteiro?

Tudo bem. O objetivo do PPD não é cumprir tudo: é render mais com ele do que sem ele, porque imprevisto faz parte da vida.

Como as tarefas são específicas, você sabe exatamente o que fez e o que ficou. Então:

  • marque o que você fez;
  • leve o resto para o próximo PPD;
  • faça o PPD de amanhã hoje à noite.
Fiquei dias sem estudar. Preciso começar do zero?

Não. Ajuste o cronograma que você já tem, em vez de trocar de plano.

Quem atrasa no extensivo atrasa no intensivo: o problema está no padrão, e não no plano. Para retomar:

  • faça um PPD só para amanhã, com poucas tarefas;
  • distribua o conteúdo atrasado nas próximas semanas;
  • olhe para a causa do atraso: cronograma, direção ou insegurança.
Quando procurar psicólogo ou médico?

Procure um psicólogo ou um médico quando o que você sente aparece também fora dos estudos e não passa com o tempo.

Eu sou educadora e não faço diagnóstico, então esta página não substitui essa avaliação.

Para a família, a melhor ajuda é:

  • perguntar como pode ajudar;
  • proteger o sono e a rotina do estudante;
  • evitar comparações com outros vestibulandos.
Medo de errar causa autossabotagem nos estudos?

Pode causar, sim. O medo do fracasso é uma das situações em que a gente mais procrastina, junto com ter coisa demais para fazer sem saber o próximo passo.

Por isso tanta gente adia o simulado: a nota parece uma sentença. Só que a nota é informação.

Quando cada erro vira uma tarefa específica do próximo PPD, o simulado deixa de ser ameaça e passa a mostrar o que já mudou.

Quem sou eu e como te ajudo?

Sou a Sabrina Oliveira, a Sassá. Sou educadora especialista em aprendizagem e neurociência da aprovação, e criei a VemMED para ajudar você a estudar certo, e não estudar muito, até a sua vaga em medicina pública.

Eu acompanho vestibulandos de medicina. O meu trabalho é te ensinar como estudar: cronograma, revisão, estratégia de ENEM e SISU e o preparo emocional para ter constância.

Não sou ex-aluna de medicina contando como passou. A minha especialidade é o como estudar, a partir de como o cérebro aprende. É isso que você encontrou nesta página, e é isso que eu faço todos os dias com os meus alunos.