Quantas horas estudar por dia, afinal?
Para começar, eu colocaria um mínimo de uma hora e meia de estudos por dia concentrando agora nas aulas e nas questões. Quando a rotina firmar, dá para subir até três horas. Na reta final, com o dia livre, a faixa vai de seis a nove horas.
Só que o número não é o ponto principal.
Quem passa em medicina não é quem estuda um maior número de horas ou quem termina toda a matéria.
Então a pergunta tem duas partes: quantas horas você tem de verdade e quanto você aprende em cada uma delas.
Logo abaixo tem a faixa que eu indico para quem ainda está na escola, para quem trabalha e para a reta final.
Tem também o jeito de contar as horas de quem faz cursinho o dia inteiro. Depois a gente vê:
- como contar só as horas que valem;
- por que 12 horas por dia não é a regra de quem passa em Medicina;
- como levar o seu número para um cronograma.
Ah, e anota aí: essas faixas são a minha recomendação de mentora, não uma estatística de aprovados, tá?
Quantas horas por dia para passar em Medicina?
Medicina não pede 12 horas por dia. Na minha recomendação, duas a três horas bem usadas já colocam você no jogo, e dá para subir daí quando o seu tempo permitir.
O que eu vejo em termos de aprovação é que não necessariamente todo mundo estudava oito horas dez horas por dia. Pelo contrário: tem muita gente que passa em medicina estudando duas, três horas por dia. Mas essa pessoa precisa de mais qualidade ainda.
Quando você tem o dia livre e o tempo aperta, a conta muda. Aí o ideal seria estudar de seis a oito, nove horas por dia. E se você tem pouco tempo, se você tem só duas horas, comece por duas horas.
A diferença entre quem passa e quem não passa em Medicina está no que acontece dentro dessas horas. Três coisas pesam mais que o relógio:
Curso concorrido pede ainda mais qualidade em cada hora, e uma jornada de exaustão não entrega isso.
Na tabela a seguir você acha a faixa que cabe na sua rotina. Para o plano completo até a vaga, veja como passar em Medicina e como passar no ENEM.
Quantas horas cabem na sua situação?
Se você ainda está na escola ou está começando do zero, tem que acontecer pelo menos uma hora e meia por dia. Depois a gente ajusta e sobe até três horas, quando a rotina firmar.
A faixa de cada perfil muda com o tempo livre que você tem e com a fase do ano em que você está.
- Quem trabalha: a lógica é a mesma. Se você tem só duas horas, comece por duas horas.
- Quem faz cursinho o dia inteiro: conte como estudo a aula seguida de recall (falar, sem olhar o material, o que você lembra da aula) e de questões de fixação do mesmo assunto. E cuidado com a aula que não termina. Às vezes a aula é de 30 minutos e a pessoa gasta uma hora e meia, porque para a cada minuto para copiar tudo.
- Reta final com o dia livre: eu indicaria de seis a nove horas, com blocos para os temas que mais caem e para os seus erros.
Em todos os perfis a ordem do bloco é a mesma: conteúdo novo, recall, questões de fixação e, no fim da semana, revisão.
| Perfil | Minha faixa diária (recomendação, não estatística) | O que entra no bloco | Quando aumentar | Página para aprofundar |
|---|---|---|---|---|
| Ainda na escola ou começando do zero | Mínimo de uma hora e meia por dia, subindo até três horas | Aula ou apostila, recall de 1 a 3 minutos e 10 a 12 questões de fixação do mesmo assunto | Depois de duas ou três semanas cumprindo o mínimo sem falhar | Rotina de estudos |
| Cursinho em tempo integral | Sem faixa própria: conte a aula só quando vier com recall e questões | A aula no tempo dela, sem parar a cada minuto para copiar tudo, depois recall e questões | Quando as aulas já terminam no tempo delas e sobra tempo para questões e revisão | Estudo ativo |
| Trabalha e estuda | Comece por duas horas; duas a três horas bem usadas já colocam você no jogo | Um ou dois blocos fechados à noite: aula curta, recall e questões | Quando as duas horas já estão fáceis de cumprir | Melhor horário para estudar |
| Reta final com o dia livre | De seis a nove horas, em blocos de manhã e à tarde | Por tema: aula de 20 a 50 minutos, recall em voz alta e questões; depois, os seus erros de prioridade alta | A carga já está no teto: o ganho vem dos temas que mais caem e da volta aos erros | Revisão para o ENEM |
As faixas da tabela são a minha recomendação de mentora, não uma média de aprovados.
Como começar com poucas horas e ir aumentando?
Comece pelo mínimo que você consegue cumprir todo dia. Só depois aumente.
Na minha conta, funciona em três degraus:
-
O mínimo diário que você cumpre todo dia.O estudo tem que começar, o estudo tem que acontecer. Pode ser do jeito fácil, pode ser do jeito difícil, pode ser da matéria boa. O que não pode é ficar abaixo de uma hora e meia por dia.
-
O ajuste depois de duas ou três semanas.Aí a gente ajusta esse cronograma e coloca um tempo maior de estudo, se for possível. Esse ajuste vem depois das semanas cumprindo o mínimo, e não no primeiro dia de empolgação.
-
O teto de três horas para quem tem pouco tempo.Se a gente conseguir chegar em até três horas já fica muito melhor em termos de probabilidade de aprovação.
É como a pessoa que não fazia nada e começa com uma caminhada por dia. Ah, com isso a saúde dela vai ser uma saúde de ferro? Não. Mas ela vai estar melhor do que ela estava antes.
Com a caminhada firme, dá para passar para a musculação. Primeiro o hábito, depois a carga.
E não copie a rotina de ninguém. O que não falta por aí é um amigo, um aprovado no Instagram dizendo o que você deve fazer porque funcionou com ele. Só que todo estudante, cedo ou tarde, vai descobrir que um cronograma que serve para todo mundo não serve para ninguém.
Para firmar o hábito, veja a minha página de rotina de estudos. Se o seu problema é começar, vai para procrastinação.
Hora sentada ou hora de estudo de verdade?
Hora de estudo é hora em que você aprende, não hora em que você fica na cadeira.
Tem um meme que é bundinha na cadeira, método infalível para aprovação. Odeio esse meme. É claro que o sentar e estudar é importante, assim como o conteúdo é importante. Mas eu vejo três erros que transformam hora de estudo em hora sentada:
Parar a aula a cada minuto para copiar tudo. Aula online não é para ficar parando a cada um minuto e anotando tudo. Então, às vezes, a aula é 30 minutos e a pessoa gasta uma hora e meia.
Exagerar nas questões do mesmo assunto. No caso de vestibular, na escola, de 10 a 12 questões de fixação já bastam. Não faz sentido fazer 50 do mesmo assunto e é bom dar uma pausa.
Fugir do que é difícil. Não adianta eu sentar e estudar se eu tenho medo de errar e aí eu sempre vou escolher as matérias que eu tenho facilidade.
1. A aula terminou no tempo dela?
2. Quantas questões eu fiz e corrigi?
3. O que eu revisei?
O resto é tempo sentado.
Pausar o vídeo toda hora para copiar
Repetir o mesmo assunto sem parar
Ficar só na matéria que você já sabe
Assistir a aula no tempo dela e anotar pouco
Fazer as questões de fixação e corrigir
Encarar a matéria em que você erra
Qual método rende mais por hora, eu mostro em como estudar de forma eficiente. Para sair do estudo passivo, veja estudo ativo.
Estudar 12 horas por dia funciona?
Não. 12 horas por dia não são a regra de quem passa em Medicina.
Eu vi isso de perto com uma aluna. Ela chegava no cursinho às 7 horas da manhã e saía às 8 horas da noite. E depois de um ano inteiro com mais de 12 horas de estudos por dia, a nota dela não aumentou. Ela terminou o ano com a nota mais baixa do que tinha começado.
Por quê? Carga alta sem revisão e sem descanso faz a pessoa esquecer o que estudou e chegar cansada à prova. Até quando a gente vai achar normal as pessoas estudando e esquecendo, deixando de dormir para estudar, tomando energético para conseguir acabar a matéria e esquecer essa matéria um mês depois?
Ah, mas um aprovado no Instagram diz que estudava 12 horas. Pode ser que aquela rotina tenha servido para ele, mas a sua conta começa pelo quanto você aprende.
E todo estudante deveria saber que ele não precisa de abrir mão do lazer, da saúde, do sono para passar, que ele não precisa acabar a matéria para ser aprovado.
Logo abaixo eu mostro como saber se você já passou do ponto. E para render mais em menos tempo, veja a minha página de foco nos estudos.
Como saber se suas horas passaram do ponto?
As horas passaram do ponto quando começam a tirar tempo da revisão e do sono.
Eu me lembro de tantos vestibulandos que estudaram, estudaram muito, se dedicaram. Muitas vezes deixaram revisão, outras vezes o próprio descanso e chegaram sem energia, esgotados no dia mais importante que era o dia da prova.
Confira os sinais na sua rotina:
O cérebro precisa de blocos com pausa. Tem muita evidência de que, por exemplo, 50 minutos com 10 minutos de intervalo, ou uma hora e 20 com 20 minutos de intervalo, são bons períodos. O modo focado é muito importante, e o período de pausa também.
Só que tem uma pegadinha aí que a gente não sabe mais fazer pausa. Chegou a hora da pausa, não é hora de ter mais informação, de ver a vida da galera no Instagram ou no TikTok.
Num estudo sobre pausa, quem ficou olhando imagens no intervalo lembrou bem menos do que quem pausou de verdade. Isso acontece porque a informação continua chegando, e o cérebro não descansa.
Cada noite mal dormida e cada revisão que você deixa de lado é um pedaço da sua aprovação jogado fora. Saber estudar é coisa séria. Dormir bem é coisa séria. Revisar é coisa séria.
Para montar os blocos, veja a minha página de pomodoro. Se o cansaço virou adiamento, veja procrastinação.
Como dividir as horas de estudo do dia?
Um dia de estudo bem dividido repete o mesmo bloco, seja em duas horas ou em oito.
O bloco tem cinco etapas:
-
Mapeamento de um minuto na apostila.Antes da aula, pegue a apostila e olhe por um minuto: título, subtítulo, questões resolvidas. Isso ajuda muito na questão do foco.
-
Aula no tempo dela.Anote pouco e não pare o vídeo a cada minuto.
-
Recall em voz alta.Recall é a recuperação ativa: sem olhar o material, você fala o que lembra da aula. Depois da aula, vale muito a pena fazer o recall, que é exatamente essa retomada, dura de 1 a 3 minutos.
-
Questões de fixação.Feche o bloco com questões do mesmo assunto. Na reta final, não precisa fazer mais do que 20. 20 já é mais do que suficiente. Então faça 20 questões.
-
Pausa sem celular.Entre um bloco e outro, pausa longe da tela.
Depois é só repetir o bloco nas horas que você tem:
- Quem trabalha · 1 a 2 blocos à noite.
- Dia livre · blocos de manhã e à tarde.
Por que cada etapa rende e como encaixar os métodos num dia curto ou longo, eu explico em como estudar de forma eficiente. Para escolher o horário de cada bloco, veja melhor horário para estudar. Para acompanhar a semana, use o planner de estudos.
As horas mudam na semana e no ano?
Mudam, sim. A semana tem dias de conteúdo e um momento de revisão, e a reta final muda a divisão do dia.
Nos dias úteis, você estuda e já faz flashcards do que estudou: na hora que você fez uma questão e teve muita dificuldade você já faz um flashcard para sua revisão. No final da semana você faz a revisão desses flashcards: marca com x o que você errou e marca com cheque o que você acertou. Na semana seguinte, os que têm x voltam, e você revisa os da semana e os errados das semanas anteriores.
Um simulado por semana entra nessa conta, e se precisar comece com meio simulado.
Na reta final, a divisão fica mais direta: uma parte do dia para estudar os temas que mais caem e outra para voltar nos seus erros de prioridade alta.
| Momento | O que entra |
|---|---|
| Dias úteis | Conteúdo novo, questões e flashcards feitos a partir do que você estudou |
| Fim de semana | Revisão dos flashcards da semana: marcar o que errou e o que acertou |
| Uma vez por semana | Um simulado |
| Reta final | Os temas que mais caem e a volta aos seus erros de prioridade alta |
Quer começar a revisão agora? Eu tenho um presente: o Plano de Revisão de 40 Dias é gratuito.
Para o cronograma por fase do ano, veja cronograma de estudos para o ENEM. Para a revisão da reta final, veja revisão para o ENEM.
Como transformar seu número em cronograma?
Com o seu número de horas em mãos, agora você monta um cronograma que caiba nele.
É hora de parar de brigar com o seu cronograma e ter um cronograma feito para você.
Então considere na montagem do seu cronograma a quantidade mas também a qualidade de estudos, as duas coisas que a gente viu aqui:
- A quantidade: as horas que você consegue cumprir de verdade.
- A qualidade: o que entra em cada bloco, com prioridade para as áreas de maior peso.
Os próximos passos estão aqui:
Se você quer ajuda para montar o cronograma, o VemMED 5.0, o meu curso online, tem 9 módulos e mentorias para montagem de cronograma, com garantia incondicional de 7 dias.
E se a sua dúvida já é a nota que Medicina pede, o Simulador SISU é gratuito, mediante cadastro.
Bora com tudo!
Perguntas frequentes sobre horas de estudo
Quantas horas por dia preciso estudar para passar em Medicina?
Não existe um número mágico para Medicina, e ninguém precisa de 12 horas por dia. Na minha recomendação, duas a três horas bem usadas já colocam você no jogo.
- Se hoje você estuda pouco: comece com uma hora e meia.
- Na reta final, com o dia livre: eu indicaria de seis a nove horas, em blocos por tema.
O que decide é o quanto você aprende e revisa nessas horas:
- aula no tempo dela;
- questões feitas e corrigidas;
- revisão toda semana;
- prioridade para as áreas de maior peso na universidade que você quer.
A faixa por perfil está na tabela desta página.
Estudar 10 horas por dia funciona?
Só funciona se essas horas tiverem questões, recall e revisão, e se ainda sobrar sono.
Muita hora sem revisão e sem descanso é o que eu chamo de cultura de exaustão. A pessoa acha que está avançando, esquece o que estudou e chega cansada à prova.
Eu já acompanhei aluna que passou um ano inteiro no cursinho, da manhã à noite, e terminou com a nota mais baixa do que começou. Antes de subir para dez horas, veja se as horas que você já tem estão rendendo.
Uma hora por dia é pouco?
Uma hora por dia é um começo, não um ponto final.
Eu colocaria um mínimo de uma hora e meia de estudos por dia. Depois de duas ou três semanas cumprindo sem falhar, subiria até três horas. Primeiro o hábito, depois a carga, do mesmo jeito que quem começa com uma caminhada antes de ir para a musculação.
O que importa é que essa hora tenha aula, recall e questões, e não só tempo sentado na cadeira.
Quem trabalha consegue passar em Medicina estudando poucas horas?
Consegue, se as horas forem bem usadas. Se você tem só duas horas, comece por duas horas: duas a três horas bem usadas já colocam você no jogo.
- Durante a semana: um ou dois blocos fechados à noite, cada um com aula curta, recall e questões.
- No fim de semana: a revisão dos flashcards e um simulado.
O que não dá é copiar a rotina de quem tem o dia livre. Monte o cronograma a partir das horas que você realmente tem.
De quanto em quanto tempo devo fazer pausa?
Faça pausa a cada bloco de estudo, e não só quando o cansaço bater.
Tem muita evidência de que estes blocos funcionam bem:
- 50 minutos de estudo com 10 de intervalo;
- uma hora e 20 de estudo com 20 de intervalo.
Na pausa, nada de celular. A pausa serve para o cérebro descansar, e rede social no intervalo só joga mais informação nele e atrapalha a memória do que você acabou de estudar.
Levante, beba água, olhe pela janela e volte para o próximo bloco.
Como sei se estou estudando demais?
Você está estudando demais quando as horas começam a tirar tempo da revisão e do sono.
Os sinais são estes:
- revisão cortada;
- noites mal dormidas;
- energia baixa;
- nota parada mesmo com mais horas.
Eu vi muitos alunos chegarem esgotados justamente no dia da prova por causa disso. Quando esses sinais aparecem, diminua as horas e coloque de volta a revisão e o descanso. Saber estudar é coisa séria, dormir bem é coisa séria, revisar é coisa séria.
Hora de aula do cursinho conta como hora de estudo?
A hora de aula do cursinho conta como hora de estudo quando vem seguida de recall e de questões de fixação do mesmo assunto. Assistir à aula é o começo do bloco, não o bloco inteiro.
E se você para a aula a cada minuto para copiar tudo, uma aula de 30 minutos vira uma hora e meia na cadeira.
Para medir o seu dia de cursinho, conte:
- as aulas que terminaram no tempo delas;
- as questões que você fez e corrigiu;
- o que você revisou.
Quem sou eu e como eu ensino
Sou a Sabrina Oliveira, a Sassá, educadora especialista em aprendizagem e neurociência da aprovação e criadora da VemMED. Eu acompanho vestibulandos que querem Medicina pública via ENEM e SISU, e ensino a estudar certo, não a estudar muito: rotina que cabe na sua vida, revisão para não esquecer e estratégia de prova.
Por isso esta página fala menos de quantas horas você fica na cadeira e mais do quanto você aprende em cada uma delas. Aqui eu junto o que a neurociência diz sobre memória, pausa e sono com o que eu vejo na rotina real dos meus alunos. A ideia é você sair daqui com um número que cabe na sua vida e um jeito de medir se ele está rendendo. O resto da minha história está na minha página.
Estou na torcida pela sua aprovação. Um beijo!
