O que você estuda em medicina?

Em medicina você estuda o corpo em três blocos, e é nessa ordem que o curso acontece do primeiro dia ao último:

  • Anatomia, Histologia, Bioquímica e Fisiologia, o bloco que as faculdades chamam de ciclo básico.
  • Semiologia, Patologia e Farmacologia, o bloco que as faculdades chamam de ciclo clínico.
  • prática supervisionada dentro do serviço de saúde, por no mínimo 35% da carga horária total do curso, como manda o Art. 32 da Resolução CNE/CES nº 3/2025.

Esses três blocos são a forma como as faculdades organizam o curso, e não uma exigência do MEC. A norma nacional não usa "ciclo básico" nem "ciclo clínico": ela fixa o internato e o piso de 7.200 horas de curso presencial, no Art. 13.

Então presta atenção nesta divisão, porque ela organiza tudo o que vem daqui para baixo: o conteúdo obrigatório é igual em qualquer faculdade do país. O que muda é o nome das disciplinas, a ordem dos períodos e o modelo de currículo.

Eu já passei um dia no campus de uma federal, justamente onde acontece o ciclo básico do curso de medicina de lá, e mais para baixo eu conto o que eu vi por lá.

Aqui eu abro bloco por bloco, disciplina por disciplina, com duas matrizes oficiais de federal do lado, a da UFS e a da UFMG. Quanto tempo cada fase dura e como entra a residência é assunto de quanto tempo dura a faculdade de medicina.

Atualizado em setembro/2026.

Por que toda faculdade ensina o mesmo?

Toda faculdade de medicina ensina a mesma base porque existe uma norma nacional que vale para o país inteiro, pública ou privada: as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina, hoje a Resolução CNE/CES nº 3, de 30/09/2025.

Ela fixa o piso: curso presencial, no mínimo 7.200 horas, no Art. 13, e 27 competências que o egresso tem de demonstrar, no Art. 8º. As áreas de formação também vêm de lá, três delas: Atenção à Saúde, Gestão em Saúde e Educação em Saúde, no Art. 6º.

E fixa o internato: no mínimo 35% da carga horária total do curso, com duração mínima de dois anos.

Só que a norma não nomeia nenhuma disciplina, não diz quanto tempo dura o básico nem o clínico e não manda turno integral. Isso tudo é o Projeto Pedagógico de cada faculdade, o PPC.

Então: o conteúdo obrigatório é igual, a embalagem é de cada uma. Entre as duas federais desta página, a diferença está no formato.

7.200 horas: a carga horária mínima de qualquer curso de medicina no Brasil (Art. 13 da Resolução CNE/CES nº 3/2025).
Carga horária e formato
O que a norma nacional fixa Mínimo de 7.200 horas, modalidade presencial, sem nenhuma carga horária a distância (Art. 13 da Resolução CNE/CES nº 3/2025, Art. 8º do Decreto nº 12.456/2025 e Art. 5º, § 1º, da Portaria MEC nº 378/2025)
O que fica no PPC de cada faculdade A carga horária total real do curso e a distribuição dela em períodos
Tempo mínimo de curso
O que a norma nacional fixa Limite mínimo de integralização de seis anos para um curso de 7.200 horas (Resolução CNE/CES nº 2/2007, Art. 2º, III, "e")
O que fica no PPC de cada faculdade O número de períodos e o prazo máximo, que a instituição fixa. Detalhe de tempo está em quanto tempo dura a faculdade de medicina
Áreas de formação
O que a norma nacional fixa Atenção à Saúde, Gestão em Saúde e Educação em Saúde (Art. 6º)
O que fica no PPC de cada faculdade Em que componentes cada área aparece e com que nome
O que o egresso precisa demonstrar
O que a norma nacional fixa As 27 competências do Art. 8º, de anamnese e exame físico com raciocínio diagnóstico a medicina baseada em evidências
O que fica no PPC de cada faculdade Quais componentes desenvolvem cada competência (Art. 19, parágrafo único)
Internato
O que a norma nacional fixa No mínimo 35% da carga horária total do curso e no mínimo dois anos (Art. 32, caput)
O que fica no PPC de cada faculdade Em que período o internato começa e como os rodízios se distribuem
Prática desde o começo
O que a norma nacional fixa Inserção em atividades práticas desde os períodos iniciais, ampliada até o internato (Art. 31)
O que fica no PPC de cada faculdade Quando e em qual serviço cada prática acontece
Extensão
O que a norma nacional fixa No mínimo 10% da carga horária curricular (Resolução CNE/CES nº 7/2018, Art. 4º)
O que fica no PPC de cada faculdade Quais atividades de extensão contam e quantas horas
Lista de disciplinas
O que a norma nacional fixa A norma não nomeia nenhuma disciplina e não fixa carga horária por disciplina
O que fica no PPC de cada faculdade A lista inteira de disciplinas, com nome e carga horária
Nome das fases e turno
O que a norma nacional fixa A norma não usa "ciclo básico" nem "ciclo clínico" e exige modalidade presencial, não turno
O que fica no PPC de cada faculdade A divisão em ciclos e o turno: na UFS e na UFMG, integral, por decisão do PPC
Anota aí: DCN é a norma nacional, PPC é o documento de cada faculdade. Não são sinônimos.

Quais matérias tem o ciclo básico?

O ciclo básico é o bloco em que você estuda o corpo funcionando, e o núcleo dele é Anatomia, Histologia, Embriologia, Biologia Celular, Bioquímica, Fisiologia, Genética, Microbiologia, Imunologia e Parasitologia, com Saúde Coletiva e Epidemiologia entrando junto.

Cada uma cobra uma coisa diferente de você:

  • Anatomia: nomenclatura e relação espacial, onde cada estrutura está e o que ela encosta.
  • Histologia: reconhecimento no microscópio, ler tecido em lâmina.
  • Embriologia: a sequência das coisas, o que se forma a partir do quê.
  • Biologia Celular: a célula por dentro, membrana, organela e transporte.
  • Bioquímica: via metabólica, com entrada, enzima, produto e regulação.
  • Fisiologia: função integrada. É aqui que o corpo vira sistema.
  • Genética: sai da ervilha e vai para herança e aconselhamento.
  • Microbiologia, Imunologia e Parasitologia: o outro lado da história, quem agride e como o corpo responde.
  • Saúde Coletiva e Epidemiologia: a população como paciente, e como se mede doença em gente que ainda não chegou ao consultório.

Foi numa aula desse bloco que eu entrei quando visitei a federal: preparação de lâmina e cortes histológicos, Histologia pura.

Não existe lista nacional de disciplinas de medicina. A tabela abaixo mostra duas matrizes oficiais de federal, período a período, e elas valem para a UFS e para a UFMG, não para o Brasil.

Exemplo oficial: matriz da UFS de Aracaju, em vigor desde 2017-1 (Resolução nº 47/2016/CONEPE), e versão curricular I-20242 do curso de Medicina da UFMG. A matriz de cada uma vale só para ela.

Universidade Período Componentes que a matriz lista, com carga horária
UFS1º períodoBioquímica 75h; Ética Médica e Habilidades de Comunicação 60h; Introdução à Saúde da Família e Comunidade 60h; Anatomia Humana I 150h
UFS2º períodoBiofísica 75h; Epidemiologia I 90h; Anatomia Humana II 60h; Embriologia e Desenvolvimento 45h; Biologia Celular 60h
UFS3º períodoFisiologia Humana 120h; Saúde, Sociedade e Interação Comunitária I 60h; Histologia 90h; Microbiologia Médica 90h
UFS4º períodoFarmacologia 75h; Processos Patológicos Gerais 90h; Saúde, Sociedade e Interação Comunitária II 45h; Epidemiologia II 45h; Imunologia 60h; Parasitologia Humana 75h
UFMG1º períodoBioquímica I 90h; Genética 60h; Anatomia Sistêmica 90h; Introdução à Pesquisa Científica I 15h; Atendimento Pré-Hospitalar e Primeiros Socorros 15h; Biologia Celular Aplicada à Medicina 60h; Embriologia Médica 45h; Ciências Sociais Aplicadas à Saúde 45h
UFMG2º períodoImunologia Médica 60h; Biofísica e Fisiologia 120h; Iniciação à Atenção Primária à Saúde I 60h; Tutoria 15h; Neuroanatomia Médica 60h; Histofisiologia dos Sistemas Aplicada à Medicina 105h; Bases Humanísticas e Introdução à Psicologia Médica 15h
UFMG3º períodoBioquímica II 30h; Farmacologia Médica I 90h; Fisiologia Médica 120h; Iniciação à Atenção Primária à Saúde II 60h; Microbiologia Médica 90h; Parasitologia Médica 60h
Olha só: o nome muda de faculdade para faculdade. Anatomia Humana I na UFS e Anatomia Sistêmica na UFMG estão no mesmo lugar da formação; Histofisiologia dos Sistemas já vem com mais de uma área junta. Procurar o nome idêntico de uma matriz na outra não leva a lugar nenhum.

O que do ENEM volta no primeiro ano?

O que você estuda agora de Biologia e de Química volta no começo do curso com outro nome e outro nível.

A prova de Ciências da Natureza do ENEM 2026 cobra Química, Física e Biologia, tem 45 questões e cai no 2º dia, em 15/11/2026, pelo Edital nº 64/2026 do Inep.

E o começo das duas matrizes oficiais desta página lista, com todas as letras, Biologia Celular, Genética, Bioquímica, Histologia, Embriologia e Fisiologia.

A ponte é por área, não item por item. A lista oficial de objetos de conhecimento de Ciências da Natureza não entra aqui, então o que eu comparo é o que a prova cobra com o que a matriz lista:

Célula e tecido → Biologia Celular e Histologia
A abordagem muda: sai do desenho do livro e vai para a lâmina no microscópio.
Genética → Genética
O mesmo assunto, agora até herança e aconselhamento de família.
Fisiologia humana → Fisiologia
Deixa de ser sistema por sistema e vira sistema conversando com sistema.
Química orgânica → Bioquímica
A cadeia de carbono vira via metabólica, com enzima, produto e regulação.
45 questões em 15/11/2026: a prova de Ciências da Natureza do ENEM 2026, aplicada no 2º dia (Edital nº 64/2026 do Inep).

Isso muda o que você faz agora: esses quatro assuntos passam a ser investimento de médio prazo, não conteúdo descartável. Como encaixar isso no cronograma é assunto de como passar em medicina.

Como é o ciclo básico por dentro?

O ciclo básico acontece em grande parte no campus: laboratório, biblioteca e sala de aula são o cenário do começo do curso.

Eu comecei o dia no campus de São Cristóvão, da UFS, que é onde acontece o ciclo básico dos alunos de medicina. A manhã foi essa. Tive uma aula sobre preparação de lâmina, cortes histológicos e aí a professora Vera fez uma prática sobre membrana celular e ela é perfeita.

De lá eu fui para a biblioteca, que tem acervo e espaço para estudar sozinho e em grupo, e vi, lá no fundo, o restaurante universitário do próprio campus. Depois eu fui para minha parte favorita de todas: encontrar os nossos alunos que passaram e estudam lá, um deles ainda no começo do curso.

E isso bate com a página oficial do curso: nos dois primeiros anos as atividades ficam concentradas, em sua maior parte, no campus de São Cristóvão, e a partir do quinto ano elas se concentram no campus da saúde, em Aracaju. Essa mesma visita virou o retrato da UFS como escolha de SISU em nota de corte de medicina na UFS; aqui ela serve para mostrar o que é o ciclo básico.

No começo do curso o cenário principal é o campus. Laboratório, biblioteca e sala de aula dominam o básico; a unidade de saúde já aparece nos períodos iniciais, por exigência do Art. 31 da Resolução CNE/CES nº 3/2025, e o hospital ganha peso máximo no internato.

Ciclo clínico: quando você começa a atender?

Você começa a atender antes do internato, e a disciplina que marca essa virada é a de propedêutica ou semiologia: é nela que se aprende a conversar com o paciente, colher anamnese, examinar e transformar sinal e sintoma em hipótese.

Nas duas matrizes oficiais desta página ela aparece no meio do curso: Propedêutica Médica I e II, no 5º e no 6º período da UFS; e, na UFMG, a Clínica Médica I começa no 4º período e a Semiologia e Nosologia Psiquiátrica, no 5º.

A partir daí o eixo deixa de ser o corpo funcionando e passa a ser o corpo adoecendo:

Propedêutica e semiologia
ensinam a colher a história, examinar e virar sinal e sintoma em hipótese. Na UFS são Propedêutica Médica I e II; na UFMG, Semiologia e Nosologia Psiquiátrica.
Patologia
ensina a ler o que a doença faz no tecido. É Processos Patológicos Gerais e Patologia Médica na UFS, Anatomia Patológica I e II na UFMG.
Farmacologia clínica
ensina o que o remédio faz no corpo, em que dose e com que interação.
Clínica médica
ensina a conduzir o adulto doente do começo ao fim. Saúde do Adulto I, II e III na UFS, Clínica Médica I a V na UFMG.
Cirurgia
ensina o pré, o intra e o pós-operatório. Na UFS é Introdução à Clínica Cirúrgica, na UFMG, Cirurgia I a IV.
Saúde da mulher
ensina o pré-natal, o parto e o consultório de ginecologia. Saúde da Mulher I e II na UFS; Ginecologia Básica, Obstetrícia Básica e Atenção Primária à Saúde da Mulher na UFMG.
Pediatria
ensina que criança não é adulto pequeno. Saúde da Criança I e II na UFS, Pediatria I a V na UFMG.
Psiquiatria
ensina a entrevista e o manejo em saúde mental. Psiquiatria Clínica na UFS, Semiologia e Nosologia Psiquiátrica na UFMG.
Atenção primária
ensina a acompanhar a mesma família ao longo do tempo, na unidade de saúde.

Cada linha aí em cima é o que aquela matriz lista, não uma grade nacional.

E nada disso é solto: a norma manda inserir você em atividade prática desde os períodos iniciais, integrada aos componentes curriculares e ampliada progressivamente até o internato, no Art. 31 da Resolução CNE/CES nº 3/2025.

Presta atenção nesta diferença: prática acompanhada por preceptor é você atendendo com alguém responsável do lado, conferindo conduta. Prática autônoma é depois da formatura, com registro no conselho. O curso inteiro é a primeira.

O que você faz no internato?

No internato você sai da sala de aula e vai para o serviço de saúde, em rodízio pelas grandes áreas, com supervisão de docente e participação de preceptor.

Ele é a única etapa do curso que a norma dimensiona: no mínimo 35% da carga horária total, com duração mínima de dois anos, no Art. 32, caput, da Resolução CNE/CES nº 3/2025.

Dentro dessa fatia a norma manda que pelo menos 30% do internato aconteça em Medicina de Família e Comunidade e em Urgência e Emergência do SUS, e que os outros 70% contemplem Clínica Médica, Cirurgia, Ginecologia e Obstetrícia, Pediatria e Saúde Mental (Art. 32, §§ 2º e 3º).

Cada rodízio ainda tem de 5% a 15% de carga teórica, para discussão de caso, e o plantão pode chegar a 12 horas diárias respeitando 40 horas semanais (Arts. 34 e 35).

No mínimo 35% da carga horária total do curso: o piso do internato na norma nacional (Art. 32, caput, da Resolução CNE/CES nº 3/2025).
Área do internato O que a norma fixa e sobre qual base Como aparece nas matrizes da UFS e da UFMG
Medicina de Família e ComunidadeEntra nos pelo menos 30% da carga horária do internato, junto com Urgência e Emergência (Art. 32, § 2º)UFS: Internato em Medicina da Família e Comunidade I e II. UFMG: Estágio em Saúde Coletiva, no 11º período
Urgência e EmergênciaMesma base, os 30% do internato (Art. 32, § 2º)UFS: a matriz não lista rodízio com esse nome — os sete internatos dela estão no Art. 13 da Resolução nº 47/2016/CONEPE. UFMG: Estágio em Urgência e Emergência I, no 11º, e II, no 12º
Clínica MédicaDentro dos 70% restantes do internato (Art. 32, § 3º)UFS: Internato em Clínica Médica I e II. UFMG: Estágio em Clínica Médica, no 9º
Cirurgia70% restantes (Art. 32, § 3º)UFS: Internato em Clínica Cirúrgica I e II. UFMG: Estágio em Clínica Cirúrgica, no 10º
Ginecologia e Obstetrícia70% restantes (Art. 32, § 3º)UFS: Internato em Ginecologia e Obstetrícia I e II. UFMG: Estágio em Ginecologia e Obstetrícia, no 10º
Pediatria70% restantes (Art. 32, § 3º)UFS: Internato em Pediatria I e II. UFMG: Estágio em Clínica Pediátrica, no 9º
Saúde Mental70% restantes (Art. 32, § 3º). Saúde Coletiva, Medicina Intensiva e Traumato-Ortopedia são conhecimento englobado pelo bloco inteiro dos 70%, não só por esta áreaUFS: Internato em Saúde Mental. UFMG: Interconsulta Psiquiátrica I e II, no 9º

Cada percentual aí em cima incide sobre uma base diferente: 35% é do curso inteiro, 30% é do internato, e de 5% a 15% é de cada rodízio. Eles não se somam nem se comparam entre si.

Cuidado ao comparar faculdades: a ordem dos rodízios e a lista de áreas de cada uma saem do PPC dela, não da norma.

Quanto tempo cada rodízio dura e como o internato entra na conta dos seis anos é assunto de quanto tempo dura a faculdade de medicina.

E se a faculdade não tiver hospital universitário?

Dá para fazer um bom curso sem hospital universitário próprio, e a norma nacional não exige um: ela fala em unidades próprias, conveniadas ou vinculadas por Coapes, com supervisão de docente da faculdade sobre a preceptoria do serviço, no Art. 25 e no parágrafo único dele.

Isso não quer dizer que dá no mesmo: faz muita diferença ter hospital universitário para os professores, para os alunos, para a população, para a pesquisa. É melhor quando tem hospital universitário, mas não é isso que impede o estudante de realmente praticar e aprender.

E é aqui que mora uma confusão comum. Não ter hospital universitário não significa que o aluno de medicina não atende: ele atende geralmente nos hospitais municipais, estaduais, filantrópicos, na UBS, no SUS.

O que o hospital universitário dá: ensino, atendimento e pesquisa dentro da própria universidade. O que a falta dele não impede: atender. A prática acontece na rede que a faculdade tem convênio para usar.

Então, na hora de ordenar as opções do SISU, a pergunta útil não é "tem hospital universitário?". As que ajudam são estas:

  • Onde ficam os campos de prática e quanto tempo se leva do campus até eles?
  • Quantos alunos dividem cada serviço?
  • Quem supervisiona: professor da faculdade, preceptor do serviço, os dois?

Como o curso é avaliado é assunto de o ranking do Enamed.

Currículo tradicional ou integrado: o que muda?

Currículo tradicional e currículo integrado ensinam o mesmo conteúdo obrigatório em embalagens diferentes, e nenhum dos dois rótulos está na norma.

A Resolução CNE/CES nº 3/2025 obriga método, não modelo: ela manda adotar metodologias ativas, que ponham você no centro da construção do conhecimento, e promover integração curricular e interdisciplinaridade, nos Arts. 18, 19 e 20. As palavras "PBL", "aprendizagem baseada em problemas", "currículo tradicional" e "módulo" não aparecem uma única vez no texto dela.

Na prática, dá para ler o modelo no nome dos componentes da grade:

O que a norma manda integrar
metodologia ativa, integração curricular e interdisciplinaridade (Arts. 18, 19 e 20). Ela para aí: não diz como a faculdade agrupa o conteúdo.
Como isso aparece no nome dos componentes
quando a matriz lista Anatomia, Histologia e Fisiologia separadas, o desenho é por disciplina. Quando ela lista coisas como Histofisiologia dos Sistemas Aplicada à Medicina, na UFMG, ou Saúde, Sociedade e Interação Comunitária I e II, na UFS, o conteúdo de mais de uma área já vem junto.
O que muda para você
a rotina de estudo, a forma de avaliação e o aproveitamento de disciplina. Quem decide isso é o PPC da faculdade.
Guarda esta fronteira: "tradicional" e "PBL" são rótulo de faculdade, não categoria da norma.

Por que Anatomia e Bioquímica pesam tanto?

Anatomia pesa por volume e Bioquímica pesa por abstração, e são dois problemas diferentes de estudo.

Anatomia cobra uma quantidade enorme de nomes que só fazem sentido em relação espacial: é reconhecer a estrutura na peça e no atlas, não repetir a definição. Bioquímica cobra o inverso, pouca nomenclatura e muita cadeia de causa: via, enzima, produto, regulação, e o que quebra quando uma etapa falha.

Fisiologia junta os dois problemas, porque exige integrar sistemas. Farmacologia entra com um terceiro tipo de carga: classe, mecanismo, efeito adverso e interação.

E a propedêutica cobra um tipo de dificuldade que não é de memória e sim de execução, porque é habilidade treinada com paciente.

Tipo de dificuldade → tipo de estudo. Volume: Anatomia. Abstração: Bioquímica. Integração: Fisiologia. Execução: propedêutica. São quatro problemas diferentes, e tratar os quatro do mesmo jeito é o que faz a pessoa estudar muito e render pouco.

Saber qual é o tipo de dificuldade de cada matéria muda o jeito de estudar cada uma; o método para isso está em como passar em medicina.

O que vem depois do internato?

A grade de medicina termina no internato: depois dele vêm a formatura, o registro no conselho e a decisão de seguir ou não para a residência, que já é outra etapa e outra prova.

O que fica de fora desta página tem endereço:

Bora com tudo.

Perguntas frequentes sobre a grade de medicina

Quais disciplinas eu vou ter no ciclo básico de medicina?

O núcleo é Anatomia, Histologia, Embriologia, Biologia Celular, Bioquímica, Fisiologia, Genética, Microbiologia, Imunologia e Parasitologia, com Saúde Coletiva e Epidemiologia entrando junto.

É o que as duas matrizes oficiais desta página listam nos primeiros períodos, a da UFS e a da UFMG. Na aula que eu assisti numa delas, o assunto era preparação de lâmina e cortes histológicos: Histologia e Biologia Celular na prática.

Em muitas faculdades esses nomes mudam, porque o conteúdo vem agrupado por sistema do corpo. O conteúdo é o mesmo; muda a embalagem.

A grade de medicina é igual em toda faculdade?

O esqueleto é. Existe uma norma nacional, a Resolução CNE/CES nº 3, de 30/09/2025, que vale para todo curso de medicina do país, público ou privado, e é por causa dela que o conteúdo obrigatório não é escolha de cada faculdade.

O que muda é o nome dos componentes, a ordem dos períodos e o modelo de currículo, porque isso sai do PPC de cada faculdade. Lista nacional de disciplinas não existe.

O que é currículo integrado ou PBL, na prática?

Nenhum dos dois é categoria da norma: as palavras "PBL", "aprendizagem baseada em problemas", "currículo tradicional" e "módulo" não aparecem uma única vez na Resolução CNE/CES nº 3/2025.

O que ela obriga é método, não modelo: metodologia ativa, integração curricular e interdisciplinaridade, nos Arts. 18, 19 e 20. Como agrupar o conteúdo é decisão do PPC de cada faculdade, e é lá que o modelo está descrito.

O que dá para ler de fora é o nome dos componentes da matriz: Anatomia, Histologia e Fisiologia separadas é desenho por disciplina; nomes como Histofisiologia dos Sistemas Aplicada à Medicina, na UFMG, já trazem mais de uma área junta.

O que eu estudo agora para o ENEM aparece de novo no primeiro ano?

Aparece, e é bastante coisa. A prova de Ciências da Natureza do ENEM 2026 cobra Química, Física e Biologia e cai no 2º dia, em 15/11/2026, pelo Edital nº 64/2026 do Inep, e o começo das duas matrizes desta página lista Biologia Celular, Genética, Bioquímica, Histologia e Fisiologia.

O nível é outro e o ritmo é outro, mas a base é a mesma. Dominar esses assuntos agora é investimento, não conteúdo descartável.

Já sou de outra graduação da saúde: dá para aproveitar disciplina?

Depende da faculdade, e esta página não tem como prometer nada aqui: não existe lista nacional de disciplinas de medicina nem norma federal de aproveitamento na Resolução CNE/CES nº 3/2025.

Quem decide é a instituição, comparando conteúdo e carga horária com a matriz dela. E o modelo importa: numa matriz organizada por módulo pode não existir uma "Anatomia I" isolada para equivaler ao seu histórico.

Confere a norma de aproveitamento da instituição antes de contar com isso.

Desde quando eu tenho aula prática no curso?

Desde os períodos iniciais. A norma manda inserir o estudante em atividades práticas nos diferentes níveis de atenção à saúde desde o começo do curso, preferencialmente em serviços do SUS, ampliando isso progressivamente até o internato. É o Art. 31 da Resolução CNE/CES nº 3/2025.

Laboratório de habilidades e simulação entram como preparação, e a prática em serviço real é que predomina (Art. 24). Nas duas matrizes desta página isso aparece já no 1º e no 2º período, com componentes de atenção primária e de comunidade.

O Enamed faz parte da grade do curso?

Passou a fazer, e com um aviso: isso vem de Medida Provisória, que ainda pode mudar.

A Medida Provisória nº 1.370, de 19/06/2026, tornou o Enamed componente curricular obrigatório, em duas etapas: uma ao fim do quarto ano, antes do internato, e outra ao fim do sexto. Para quem ingressar a partir de 19/06/2026, a segunda etapa vira requisito para o registro no CRM.

A avaliação do curso pelo Enamed está em o ranking do Enamed.

Quem sou eu para falar de medicina?

Sou a Sabrina Oliveira, a Sassá, educadora especialista em aprendizagem e neurociência da aprovação e criadora da VemMED.

Eu oriento vestibulandos de medicina desde 2013, gente que mira a vaga na pública pelo ENEM e pelo SISU — e é por isso que esta página termina no internato: quem está escolhendo curso e faculdade precisa saber o que se estuda em cada fase, não o que vem depois da formatura.

Eu não cursei medicina, e é de propósito que esta página não conta rotina de dentro do curso. O que eu trago aqui é a norma nacional lida artigo por artigo, duas matrizes oficiais de federal e um dia que eu passei no campus de uma delas.

Quando eu digo que o conteúdo obrigatório é igual e a embalagem muda, é porque dá para conferir isso linha a linha nos documentos que esta página cita.